A BÊNÇÃO QUE SE MULTIPLICA

Ser uma bênção é uma das maiores vocações do cristão. Se hoje fosse o último dia de nossa vida, o que as pessoas diriam a nosso respeito? Lembrariam apenas de nossas realizações pessoais ou testemunhariam que Deus usou nossa vida para abençoá-las? Essa reflexão nos leva a compreender que a verdadeira grandeza de um cristão não está no que acumulou, mas no quanto serviu e edificou outras pessoas. 
A Palavra de Deus apresenta diversos mandamentos  que demonstram que a vida cristã deve ser vivida em comunhão e
serviço mútuo: “exortai-vos”, “consolai-vos”, “considerai-vos”, “amai-vos” e “admoestai-vos”. Esses imperativos revelam que Deus deseja que cada crente seja um canal de sua graça.
O primeiro motivo para abençoarmos os outros é que isso faz parte do ministério de todos os crentes. No Antigo Testamento, o sacerdócio era restrito a um grupo específico.
Entretanto, em Cristo, todos os salvos  foram constituídos sacerdócio santo e real (1 Pedro 2.5,9). Não existe monopólio  das bênçãos divinas. Cada cristão recebeu dons espirituais para servir ao próximo (1 Pedro 4.10). Deus distribuiu
diferentes capacidades entre seu povo para que todos
cooperem mutuamente e ninguém se considere superior aos
demais. Sempre que utilizamos nossos dons para edificar
alguém, estamos cumprindo o propósito estabelecido por Deus para sua Igreja.
O segundo motivo é que abençoar produz um profundo senso
de realização espiritual. Ao aproximar-se do fim de sua vida, o
apóstolo Paulo declarou que havia combatido o bom combate,
completado a carreira e guardado a fé (2 Timóteo 4.6-8). Sua
satisfação não estava nas circunstâncias, mas na certeza de haver
cumprido sua missão.
Cristãos verdadeiramente realizados são aqueles que vivem para
frutificar. Jesus afirmou que nos escolheu para produzirmos frutos
permanentes (João 15.16). Essa frutificação acontece quando
colocamos nossos dons, tempo, recursos e amor a serviço das
pessoas.
Também não devemos esperar circunstâncias ideais para fazer o
bem. Paulo abençoou os companheiros de viagem mesmo sendo
prisioneiro; evangelizou enquanto estava encarcerado; Estêvão
intercedeu pelos seus perseguidores enquanto era apedrejado. A
oportunidade para ser uma bênção sempre é o presente. Cada dia
oferece novas ocasiões para demonstrarmos o amor de Cristo por
meio de palavras, atitudes e gestos de misericórdia.
Finalmente, abençoar faz parte da nova natureza recebida em
Cristo. A Bíblia afirma que somos embaixadores de Cristo (2
Coríntios 5.20). Deus escolheu agir no mundo através de seu povo.
Por isso, Jesus declarou que somos a luz do mundo e o sal da
terra (Mateus 5.13-16), enquanto Paulo afirma que somos o bom
perfume de Cristo (2 Coríntios 2.15).
Essas figuras ilustram nossa missão. A luz dissipa as trevas, o
sal preserva da corrupção e o perfume espalha uma agradável
fragrância. Em um mundo marcado pelo pecado, pela desesperança
e pela violência, o cristão deve refletir a presença transformadora
de Cristo, levando esperança, paz e consolo onde estiver.
Que nossa vida seja lembrada como um instrumento nas mãos de
Deus. Assim como Filemom reanimava os santos, Tito consolou o
coração de Paulo e a mãe de Rufo exerceu cuidado maternal sobre o apóstolo, também somos chamados a marcar positivamente
a vida das pessoas. Sejamos uma bênção por meio de nossas
palavras, de nossos recursos, de nossos dons e de nosso
testemunho, deixando, por onde passarmos, o bom perfume de
Cristo e glorificando a Deus em tudo o que fizermos.