Será que uma igreja realmente precisa de estruturas mais eficazes para se desenvolver? Não seriam as estruturas algo contrário ao fator orgânico da vida cristã? Se a igreja é o corpo vivo de Cristo, por que pensar em estruturas? E, diante de tantos desafios espirituais, relacionais e missionais, por que investir tempo refletindo sobre esse tema? Essas perguntas revelam uma dificuldade comum: a tendência de enxergar “estrutura” e “vida” como conceitos opostos. Muitos imaginam que, quanto mais orgânica uma igreja for menos estruturada ela deve ser. No entanto, essa visão não encontra respaldo nem na experiência prática das igrejas saudáveis, nem no testemunho bíblico. O fato é que as igrejas que mais crescem e se desenvolvem ao redor do mundo demonstram grande atenção às suas estruturas. Longe de impedirem o crescimento, essas estruturas atuam como instrumentos que facilitam, organizam e potencializam a vida da igreja. Estruturas eficazes não engessam a ação do Espírito Santo; ao contrário, criam caminhos para que essa ação alcance mais pessoas de forma intencional e responsável. É claro que existe um risco. Quando uma igreja supervaloriza suas estruturas, tratando-as como um fim em si mesmas, ela pode perder de vista sua verdadeira missão. Prédios, departamentos, programas e sistemas administrativos nunca devem substituir o cuidado com as pessoas. Estruturas são meios, não objetivos finais. Elas existem para servir à missão, e não para competir com ela. Um exemplo simples ilustra bem essa realidade. Uma igreja que investe em boas salas para as crianças não o faz para parecer organizada ou moderna, mas porque se importa com o bem-estar, a segurança e o discipulado da próxima geração. No final das contas, o mais importante não é a sala em si, mas o cumprimento da missão da igreja de ensinar, cuidar e formar crianças nos caminhos do Senhor. A estrutura só tem valor quando sustenta esse propósito. Nesse sentido, Christian Schwarz oferece uma contribuição extremamente relevante ao afirmar que o critério mais importante para as estruturas da igreja é a medida em que elas cumprem seu objetivo. Aquilo que não atende a esse princípio precisa ser ajustado ou até eliminado. Cada igreja, segundo ele, deve desenvolver estruturas que sejam eficazes dentro de seus próprios objetivos, tamanho, história e identidade denominacional. Não existem modelos universais; existem estruturas adequadas para contextos específicos. As estruturas sempre estiveram presentes na vida da igreja, o desafio atual é torná-las cada vez mais eficazes e alinhadas à missão. Todas as marcas do desenvolvimento natural da igreja se interligam nesse propósito: facilitar o crescimento saudável do corpo de Cristo. Uma igreja pode errar tanto ao supervalorizar suas estruturas, investindo tempo e recursos excessivos nelas, quanto ao negligenciá-las, tratando-as como algo desnecessário. Ambos os extremos prejudicam a saúde da igreja. O equilíbrio está em reconhecer que estruturas bem pensadas são ferramentas preciosas para o avanço do Reino. Por fim, é importante destacar que investir em estruturas mais eficazes não significa, necessariamente, investir mais dinheiro. Muitas vezes, pequenos ajustes, mudanças simples e decisões intencionais já produzem grandes resultados. Um olhar amoroso, atento e criativo pode transformar uma estrutura deficiente em algo extremamente relevante para a missão da igreja. Converse com a liderança sobre isso. Uma liderança saudável está disposta a ouvir, refletir e ajustar caminhos para que a igreja cumpra, com excelência, o propósito que Deus lhe confiou.
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